BLOGS O MUNDO DA F-1
A Honda e os brasileiros, 2
A decisão dos japoneses da Honda sobre quem será o companheiro de Jenson Button em 2009 parece que ficará para depois do próximo teste. Ao que parece, eles ficaram bastante impressionados com o trabalho de Lucas di Grassi e Bruno Senna, com uma certa vantagem para este último.
O Alex falou a respeito da influência que a Petrobrás poderia ter na escolha, que assim cairia sobre Bruno, por questões comerciais. Bem... esse jogo de bastidor certamente existe e pode ser, no final das contas, um dos critérios de desempate caso a dúvida persista na cabeça dos chefões da Honda.
Já o Oliveira questionou a ‘praticamente certa’ renovação do contrato de Button. Pensando nisso, agora, fiquei pensando que a escolha mais sensata da Honda seria, em um mundo sem outros interesses envolvidos, seria a de manter Barrichello como o piloto experiente da equipe.
Mas, nesse caso, seria formada uma dupla de pilotos brasileiros. Que, dado o nível de interesse comercial envolvido, é algo praticamente impensável. Mas fico imaginando o quão interessante uma dupla Barrichello-Grassi, com Senna como piloto de testes.
Devaneios à parte, Senna aparece como favorito. O que preocupa, nesse caso, é o futuro de Grassi. Um grande talento que merece, mais que qualquer outro piloto, uma chance na F-1. Mas, da forma como as coisas vão, parece que ele terá que procurar uma vaga de piloto de testes e aguardar, mais um ano, por uma chance.
Não acredito, ainda, que a motivação de Barrichello seja financeira. Sua situação financeira é excelente e, caso fosse para outra categoria, como a Indy, receberia um salário no mesmo patamar. A Fórmula 1, para ele, é realmente uma grande paixão.
Já disse aqui, antes, que infelizmente ele cometeu alguns erros desde sua estréia em 1993. Mas há que se louvar a sua carreira e suas conquistas. Eu lamento profundamente o fato de que o fim de sua carreira pode acontecer dessa forma melancólica, aguardando uma demorada decisão da Honda.
Certamente ele merecia uma despedida melhor.
Para finalizar, segue o vídeo com a dobradinha de Piquet e Moreno, correndo pela Benetton, no GP do Japão de 1990. Por sinal, foi a corrida em que Senna conquistou o bicampeonato, com o polêmico acidente com Prost.
A Honda e os brasileiros
A Honda deve definir, em breve, qual será a sua dupla de pilotos para a próxima temporada. Apesar de não confirmado oficialmente, Jenson Button deve permancer na equipe e a segunda vaga está sendo ‘disputada’ por três pilotos.
Curiosamente, os três são brasileiros. Rubens Barrichello, que correu as últimas três temporadas pela equipe, Lucas di Grassi, que foi vice da GP2 em 2007 e passou 2008 como terceiro piloto da Renault (de quebra, pegou o campeonato da GP2 depois de seus etapas disputadas, em uma equipe até então apenas mediana e terminou em terceiro), e Bruno Senna, que fechou o ano como vice da GP2.
Acho difícil que a escolha recaia sobre Barrichello. Olhando pelo aspecto técnico, talvez fosse a escolha mais sensata para a equipe, uma vez que a próxima temporada terá uma série de novidades na área técnica – uma configuração aerodinâmica totalmente diferente, pneus slick e o KERS, para citar apenas os principais itens.
Mas... há um desgaste natural, até mesmo para pilotos que foram campeões do mundo. Rubens pode ser querido no paddock, respeitado pela parte técnica, admirado pela habilidade. No entanto, parece que seu tempo passou. Quando a Honda começou a enrolar sobre a renovação, deveria ter pegado seu capacete e anunciado a aposentadoria.
A disputa entre Grassi e Senna se dá nos testes desta semana na Espanha. Ao que parece, as equipes adoram fazer isso. Talvez, para colocar o piloto sob extrema pressão desde o início. Ou seja, se ele ‘sobreviver’ e ainda conseguir ser rápido...
Analisando friamente o que cada um dos dois fez, Lucas me parece pronto para a F-1. Se dependesse apenas de mim, ele seria a escolha natural. Mas se não conseguir a vaga na Honda e ficar mais um ano ‘encostado’, corre o risco de perder o bonde.
Bruno ainda parece ‘verde’ e um ano como piloto de testes seria bem vindo. Como se viu com Piquet, as dificuldades da categoria são muitas – agravadas pelas novidades técnicas. Disso, a comprometer toda uma carreira, pode ser um passo muito pequeno.
Os rumores do paddock, no entanto, indicam que Senna leva vantagem na disputa. O sobrenome, convenhamos, é forte, e a ligação que o tio teve com a marca japonesa também tem o seu peso.
Eu, sinceramente, só espero que a escolha da Honda não possa ter um impacto negativo na carreira de dois jovens promissores pilotos brasileiros.
Um abraço a todos.
Senna e Comas
Olá meus amigos. Ainda com o rescaldo do Salão do Automóvel, só pude voltar a ao blog hoje, sexta-feira. E, aproveito para compartilhar uma história, que explica uma incógnita que ficou na minha mente por muitos e muitos anos...
Bom, no fatídico acidente que tirou a vida de Senna, um fato chamou a atenção e revoltou quem acompanhava o drama ao vivo. O francês Eric Comas deixou os boxes com a prova interrompida e só parou quando chegou ao local do acidente, no ponto em que o helicóptero já estava parado. Vejam no vídeo abaixo:
Ninguém entendeu nada, inclusive eu. Muita gente chamou o piloto de maluco. Enfim, diante de tudo que aconteceu depois, sequer me lembrava do acontecido. Mas o Vinícius de Oliveira, que trabalhou aqui no site comigo durante um bom tempo, me enviou um link que explica tudo. É um post do “Comancheiro Futebol Chope”, assinado pelo jornalista Felipe Corazza, que basicamente fala de futebol, mas que abriu um pequeno espaço para a F-1.
Ele apresenta uma entrevista em que Comas explica o que aconteceu. Enfim, vejam vocês mesmos clicando aqui. Eu só destaco uma frase: "Ayrton salvou minha vida, mas eu cheguei tarde pra salvar a dele".
Um abraço a todos
Pitacos de Interlagos
Quando fiz minha “previsão” de que Massa venceria e Hamilton seria campeão com o quinto lugar, acreditava que seria um quinto lugar bem tranqüilo, longe das voltas dramáticas que marcaram o final da temporada 2008.
Os olhos marejados de Massa eram muito mais pela frustração de ter sido campeão quando recebeu a bandeirada, mas ter visto a taça escorregar de suas mãos alguns segundos depois. Sua temporada deve ser motivo de muito orgulho.
Esta foi o ano de sua afirmação como piloto de ponta, capaz de liderar uma equipe. Mais do que isso, mostrou que pode suportar a pressão inerente à sua função, fruto de uma enorme evolução profissional. Fosse ele o campeão, o título estaria em boas mãos.
Felipe parte para a próxima temporada muito mais maduro e consistente. Também sai fortalecido dentro da Ferrari, depois de derrotar o então campeão do mundo dentro da própria trincheira.
E pensar que, depois da prova na Malásia, a imprensa italiana já dizia que ele não terminaria a temporada, substituído por Alonso.
E Hamilton? Não há como dizer que ele foi campeão injustamente. Trata-se de outro piloto excepcional que, em 2007, também derrotou o então campeão do mundo dentro da própria equipe.
Há quem fale de favorecimento. Mas então por que a McLaren foi buscar Alonso? Por que Ron Dennis, ainda antes da largada em Melbourne, não tinha certeza se havia feito a coisa certa ao promover a estréia do garoto? Todo mundo esperava que Hamilton estourasse em 2009 ou 2010. Esses dois anos deveriam ser de aprendizado junto ao bicampeão do mundo...
Apesar disso, Hamilton mostrou que ainda precisa acumular milhagem para aprender a lidar com a pressão da forma como Massa o fez. É evidente sua evolução em relação à 2007, mas, ainda há o que trabalhar.
Por fim, a corrida em si. Provavelmente foi a mais emocionante bandeirada final de uma temporada que eu já vi na vida. A expressão de Titônio Massa, pai de Felipe, quando lhe avisaram da posição de Hamilton foi de cortar o coração.
Se Massa e a Ferrari foram perfeitas, a McLaren cometeu um pecado imperdoável. Não avisou Hamilton que Glock tinha subido para o quarto lugar. Quando Vettel deu o bote, Hamilton disse que foi “cauteloso”, pois não queria se expor – certamente com o filme de 2007 tocando em looping na sua cabeça.
No entanto, a “cautela” quase lhe tira o título. “Não acreditei quando a equipe disse que eu tinha que ultrapassa-lo”, disse. E, como vimos, ele não conseguiria, pois Vettel era mais rápido. Sorte do inglês que a chuva apertou, tornando impossível para Glock, com pneus de seco, manter o carro reto na pista.
Massa cruzou a linha de chegada campeão do mundo. Mas Hamilton passou Glock segundos depois e recebeu a bandeirada em quinto, campeão do mundo.
E, assim, os dois entraram para os anais da F-1.