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Lemyr MartinsColuna do Lemyr |
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Márcio IshikawaO Mundo da F-1 |
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Adriano GrieccoVida de Piloto |
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Luciano BurtiColuna do Burti |
Ponto e contraponto. Assim é a natureza do comportamento humano. Por mais linear que seja o cidadão. Aliás, o fenômeno se estende a tudo no Universo. Não existe a antimatéria, cujos átomos apresentam núcleo negativo e eletrosfera positiva? Ou o ornitorrinco, mamífero que põe ovos? A Fórmula 1 não foge à regra. Tome o exemplo de Rubens Barrichello. Segundo sua própria contagem, no próximo dia 8 de junho, no GP do Canadá, em Montreal, uma das suas cidades favoritas, ele se tornará o piloto com maior número de participações em corridas de Fórmula 1 de todos os tempos: 257, diante de 256, hoje, do italiano Riccardo Patrese, ainda o rei do ranking.
O ponto: aos 36 anos, Rubens Barrichello passa a ser o piloto de maior longevidade na competição mais sofisticada do mundo. O que não deixa de ser uma forma de valorização. O contraponto: seu índice de rejeição é tão alto que em instante algum a lógica sugeriria que o piloto pudesse realizar a proeza. Mas essa é apenas uma das muitas controvérsias, ou pontos e contrapontos da carreira de Rubens Barrichello, o Rubinho, o Novo Senna, o Pé-de-Chinelo, o piloto que venceu Schumacher usando o mesmo carro e que pediu para ser dispensado da Ferrari, o profissional que está às vésperas da aposentadoria e não sabe.
Para a maioria dos jovens, hoje, meninos e meninas que desconhecem o que é o Brasil ser campeão do mundo na Fórmula 1, Rubens Barrichello tem lá seu papel até de ídolo. Cresceram vendo Rubinho tendo de lutar primeiro contra as “injustiças” da Ferrari, para depois pensar em derrotar o poderoso alemão, representante do mal. Em nove ocasiões – seu número de vitórias na Fórmula 1 –, Rubinho, agente do bem, chegou à frente e venceu o mal.
Mas apresente sua foto a quem viu Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna correr, encantar, dar espetáculo, essencialmente ganhar campeonatos. Essas gerações foram educadas a celebrar títulos. E Barrichello pode lhes representar tudo, menos uma coisa: vencedor. Os termos são fortes, mas parecem definir com precisão esse fenômeno do esporte a motor no Brasil: Barrichello consegue ser amado e odiado ao mesmo tempo. Novos pontos e contrapontos: “Ele é um injustiçado”, dizem alguns. “O cara está sempre se justificando”, afirmam outros.
Curiosamente, Nelson Piquet, um crítico contumaz das decisões de definição de equipe de Barrichello, o respeita como piloto. Como Emerson Fittipaldi, atribui ao azar de dividir a Ferrari com Michael Schumacher o fato de não ter sido campeão. “O Barrichello chegou na hora certa do time, mas na hora errada quanto ao companheiro de equipe. O alemão é melhor”, diz Piquet. “Se em vez do Schumacher fosse um piloto normal na Ferrari, o Rubinho teria conquistado o Mundial”, afirma Emerson.
Parte da imagem desgastada de Barrichello provém dele próprio. Recitou frases antológicas. Em 1995, antes de a temporada começar, diante de uma nação sensibilizada em extremos com a perda de Ayrton Senna no ano anterior, disse: “Não temos mais desculpas. O que faltava para a Jordan vencer corridas era um motor oficial de fábrica. Agora temos a Peugeot. A torcida pode se preparar”.
Lançou sobre si responsabilidade ainda maior que a que possuía, na cabeça do apaixonado pela Fórmula 1, como o “substituto de Senna”. A Jordan, organização modesta, como o esperado não se aproximava do pódio. E, pior, Eddie Irvine, seu companheiro, começou o campeonato melhor. A desgraça de Barrichello com os brasileiros teve início aí. “Ele não ouve ninguém. Se conseguir se classificar para o grid em 21º e o Irvine em 22º, estará mais feliz que se Irvine for primeiro e ele segundo”, disse na época Gary Anderson, diretor-técnico da Jordan.
Substituto de Senna - Anos mais tarde, tendo já vencido corrida na Ferrari, Barrichello lembrou seu maior calvário na F-1. “Na minha cabeça, eu estava substituindo o Senna no coração da torcida. O nível de cobrança que fiz a mim mesmo era impensável. Achava possível vencer com a Jordan. Mas não me culpo, eu era muito jovem, tinha 22 anos, não tinha consciência”, disse. Outra de suas frases ambíguas e que até hoje reverberam nos autódromos: “Não sou o piloto número 2 da Ferrari, mas o 1B”. Como em outras ocasiões, fez a imprensa italiana – a que mais cobra – colocá-lo na marca do pênalti quando afirmou à Gazzetta dello Sport, ano passado, na Austrália: “Eu serei a surpresa do campeonato”. Foi mesmo, mas a negativa, por não ter conquistado com a Honda um único ponto, pela primeira vez na F-1 desde sua estréia no GP da África do Sul de 1993, pela Jordan. Em total contraste com os 114 pontos de 2004.
| POS | PILOTO | PTS | |
|---|---|---|---|
| 1° | ![]() |
Lewis HamiltonMcLaren | 98 |
| 2° | ![]() |
Felipe MassaFerrari | 97 |
| 3° | ![]() |
Kimi RaikkonenFerrari | 75 |
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Robert KubicaBMW Sauber | 75 | |
| POS | EQUIPE | PTS | |
|---|---|---|---|
| 1° | ![]() |
Ferrari | 172 |
| 2° | ![]() |
McLaren | 151 |
| 3° | ![]() |
BMW Sauber | 135 |
| 4° | ![]() |
Renault | 80 |