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Lemyr MartinsColuna do Lemyr |
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Márcio IshikawaO Mundo da F-1 |
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Adriano GrieccoVida de Piloto |
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Luciano BurtiColuna do Burti |
Não existe ninguém que goste de Fórmula 1 que não esteja em suspense com a nova parceria entre Fernando Alonso e Nelsinho Piquet, na Renault. E já se sabe que papéis serão cobrados deles. Alonso terá de ser Alonso. Ou seja, demonstrar que é o atual piloto de melhor sensibilidade para desenvolver um protótipo. Precisará fazer o que é mais difícil na F-1: tornar um carro competitivo. Até porque, se fosse tarefa fácil, a Ferrari não teria reconvocado Michael Schumacher para avaliar a F2008.
E dessa missão Alonso não poderá fugir. Primeiro porque ele quer provar que foi o responsável pela excelente temporada do McLaren MP4/22. Um carro que, espionagem à parte, teve na competência do espanhol o maior mérito nos estupendos resultados seus e de Lewis Hamilton em 2007. Alonso deverá trazer para o novo Renault R28 o que ele se gabava de ter levado para o MP4/22: ser 7 décimos de segundo mais rápido.
Pois entre seus objetivos pessoais também está vencer a McLaren e Lewis Hamilton, para ir à forra do boicote de que ele se queixa ter sido vítima no time inglês. Os recursos não faltarão. O staff técnico da Renault, eufórico com o retorno do piloto, promete-lhe um carro voador, embora Pat Symonds, o diretor técnico, afirme que o piloto não é um messias. “Alonso é um piloto, não um engenheiro. A evolução do modelo 2008 terá origem em nosso departamento técnico”, disse Symonds.
A parte financeira também é de estimular o mais exigente dos campeões. Ele se tornou o piloto mais bem pago da F-1, com 42 milhões de euros por ano, o dobro do que recebia na McLaren, superando o recorde de 36 milhões de Schumacher em 2005. Apesar de, segundo os jornais espanhóis, ter recusado 70 milhões oferecidos pela Toyota por não ver chance de ser tricampeão no time japonês.
Pior que Nelsinho - Na parte política, Alonso vai enfrentar um problema chamado Nelsinho Piquet. Mesmo que se saiba que ele teve tempo de sobra para exigir da Renault todos os privilégios possíveis, sempre haverá a ameaça de um jovem piloto talentoso à espreita. Afinal, Alonso fechou 2007 com o prestígio arranhado. Pois, além de não conseguir o tri anunciado, empatou com Hamilton em 109 pontos, mas perdeu o vice por 5 a 4 nos segundos lugares. Em 2008 ele vai jogar os números de uma carreira vitoriosa de 19 vitórias, 17 poles, 49 pódios e 490 pontos, em seis temporadas, contra Nelsinho Piquet, um novato que entra na corte sem nenhum GP disputado.
Mas o que poucos lembram é que o retrospecto de início de carreira do brasileiro é superior ao do espanhol. Antes de ingressar na fraca Minardi em 2001, Fernando Alonso tinha os títulos de campeão espanhol e mundial de kart em 1996 e da pouco concorrida Euro-Open Nissan, em 1999. Na F-3000, não superou a quarta colocação, em 2000. A primeira vitória do asturiano aconteceu na Hungria em 2004, em seu 30º GP – o 13º pela Renault –, um ano antes de se tornar o campeão mais jovem da categoria, aos 22 anos.
Já Nelsinho Piquet foi preparado pelo pai tricampeão ainda pequeno. “Desde que comecei no kart, aos 8 anos, sempre tive a F-1 como foco”, diz Nelsinho, que foi tricampeão brasileiro de kart em 1997, 1999 e 2000. Em 2002 levou o título da Fórmula Sul-americana, com 14 vitórias em 25 corridas. Aí Nelson Piquet achou que o filho estava pronto para encarar a F-3 inglesa. O primeiro ano foi de aprendizado. Nelsinho competiu em 23 corridas, ganhou cinco e fechou em terceiro, com a certeza de pai e filho de que a equipe precisava ser mais bem estruturada. Estavam certos, porque Piquet Jr. – como é chamado pela mídia britânica – foi arrasador em 2004: estreou com um segundo lugar e fechou como campeão com seis vitórias, 13 pódios, cinco poles e 11 voltas mais rápidas, totalizando 24 pódios e 12 vitórias em dois anos de F-3 inglesa. Na GP2, degrau imediato à F-1, ele repetiu o roteiro. Na primeira temporada ganhou uma corrida e cinco pódios. Mas em 2006 brigou toda a temporada com Lewis Hamilton: cravou seis poles e três voltas rápidas e fechou com quatro vitórias e oito pódios. Só perdeu o título para Hamilton, que venceu uma corrida a mais.
Nelsinho foi um piloto de testes reconhecido como bom analista de reações dos carros que guiou, na Williams, na BAR-Honda e ao longo de 2007 na Renault. Agora terá que provar que pode ser veloz com um carro competitivo num GP. Pelo menos até a metade da temporada, Nelsinho terá que brigar com Alonso pelo grid, já que na disputa da pole não há jogo de equipe. E ele jura que está preparado para isso: “Acho que estou estreando na hora certa. Tive um excelente ano como piloto de teste e pude aprender bastante sobre a equipe, o carro e a categoria”.
Saudades de Hamilton - Alonso, que já tem garantido o privilégio nas corridas, não poderá jamais deixar que Nelsinho se transforme num outro Hamilton. Estará obrigado a seguir o jargão da F-1 de que o primeiro inimigo a matar é o companheiro de equipe – que também é o caso de Nelsinho. O jovem Piquet está menos compromissado. Vai correr pelo emprego, para projetar a carreira e apreciar Alonso superar-se para não correr o risco de servir de trampolim a outro novato. Na opinião do bicampeão Emerson Fittipaldi, essa situação é mais do que provável. “Acho que Nelsinho trará mais problemas a Alonso do que o espanhol teve com Hamilton”, disse o brasileiro ao jornal português A Bola.
De qualquer forma, a guerra ainda não aconteceu, mas houve os primeiros disparos. O jornal espanhol Marca publicou que Nelsinho já tem a reputação de ser pouco submisso. Um gene que o tablóide diz ser herança do pai, citando o chefão Flavio Briatore como fonte. Na verdade, Piquet e Briatore se conhecem bem, pois trabalharam juntos e conquistaram 69,5 pontos de três vitórias, sete pódios e um terceiro lugar no Campeonato de Construtores de 1990.
O jornal bate e afaga, garantindo que “a velocidade e o caráter esportivo de Nelsinho Piquet podem até perturbar Alonso, mas não parecem ameaçar a majestade do bicampeão”. Nelson pai não se fez de rogado e respondeu ao diário espanhol: “O Nelsinho não será segundo piloto de ninguém. Sei que não haverá privilégios na Renault, então a única obrigação dele é andar na frente do Alonso”.
Filhos da pista - É histórico que, quanto mais famoso é o piloto pai, pior para o filho. Até agora, os únicos filhos da pista que lograram sucesso foram Alberto Ascari, Damon Hill e Jacques Villeneuve. Alberto Ascari – filho de Antonio, um talentoso vencedor dos anos 20 – foi o último campeão italiano da F-1, ao ganhar o bicampeonato pela Ferrari em 1952/53. Damon, campeão em 1996, não repetiu o bi de Graham, mas bateu o pai em vitórias: ganhou 22 GPs em 115 provas contra 14 em 176. Jacques Villeneuve, além de superar o pai em vitórias (11 a 6), sagrou-se campeão em 1997, glória que Gilles não alcançou. Nelsinho não assume o desafio de bater a marca do pai tricampeão, mas a comparação será inevitável. A carreira de Nelson Ângelo Piquet, o segundo de sete filhos, começou quando desceu do Dallara-Honda F-3, meio aborrecido por não ter feito a pole naquela corrida de estréia, na sexta etapa da Sul-Americana, em 5 de agosto de 2001, em Brasília (DF). Piquet olhou o filho, passou a mão pelo rosto suado do menino de 16 anos e deu-se por satisfeito com o segundo tempo do filho-piloto, atrás do veterano e já campeão Juliano Moro. Nelsinho partiu e chegou em segundo. Eufórico com a estréia do filho, lançou um brado de alerta.”Te cuida, Schumacher”, disse o pai, já pensando no futuro do filho. “Sim, o Nelsinho está se preparando para a Fórmula 1. Se ele não se machucar e continuar evoluindo, chega lá. Aí, então, veremos se ele tem talento ou vai ser um Rubinho”. Palavra de tricampeão.
| POS | PILOTO | PTS | |
|---|---|---|---|
| 1° | ![]() |
Lewis HamiltonMcLaren | 98 |
| 2° | ![]() |
Felipe MassaFerrari | 97 |
| 3° | ![]() |
Kimi RaikkonenFerrari | 75 |
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Robert KubicaBMW Sauber | 75 | |
| POS | EQUIPE | PTS | |
|---|---|---|---|
| 1° | ![]() |
Ferrari | 172 |
| 2° | ![]() |
McLaren | 151 |
| 3° | ![]() |
BMW Sauber | 135 |
| 4° | ![]() |
Renault | 80 |